Segundo a OMS, todo ano são registrados cerca de 130 mil casos de melanoma no planeta, tipo mais agressivo de câncer de pele devido à sua alta capacidade de produzir metástase. Um estudo cientifico, apresentado à comunidade médica internacional no início desse mês, promete revolucionar o tratamento do melanoma.
Pesquisadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, testaram uma nova terapia para inibir a ação de um gene cujo papel é fundamental no desenvolvimento do melanoma. Os resultados do estudo foram apresentados na a 47ª Conferência Anual da American Society of Clinical Oncology (Asco), realizada em Chicago, de 3 a 7 de junho. O evento é considerado o mais importante encontro da oncologia mundial. Uma equipe de especialistas do Núcleo de Oncologia da Bahia marcou presença no encontro, que abordou os últimos avanços na área.
O estudo comparativo, liderado pelo médico Paul Chapman, foi realizado com 675 pacientes com melanoma metastático que não haviam sido tratados anteriormente, portadores de mutações do gene BRAF. A metade dos pacientes foi submetida à terapia com vemurafenib, droga experimental administrada oralmente. O outro grupo foi tratado com quimioterapia convencional, a dacarbazina, substância que é usada desde 1975.
Depois de três meses, os resultados mostraram que pacientes tratados com o vemurafenib tiveram suas chances de sobrevida aumentadas 63% em comparação com os que usaram a quimioterapia convencional, além de terem apresentado 74% menos risco de avanço da doença. Além da eficácia nos resultados, menos de 10% dos pacientes tratados com a nova droga apresentaram efeitos colaterais.
“O tratamento representa um avanço significativo no tratamento do melanoma na medida que traz resultados efetivos e possibilita aumentar a longevidade e a qualidade de vida dos pacientes,” destaca a oncologista Clarissa Mathias, do Núcleo de Oncologia da Bahia, que esteve presente na Conferência da Asco.
Por sua capacidade de neutralizar a mutação celular, a nova droga foi considerada eficaz tanto para casos de melanoma em pacientes portadores de mutações genéticas específicas, como para aqueles que apresentam melanoma em estágio avançado com metástases.
Há a expectativa que as agências reguladoras de medicamentos nos EUA e Europa aprovem a nova droga até o fim do ano.
Outra pesquisa apresentada na Conferência Anual da American Society of Clinical Oncology (Asco) revela que a combinação da droga ipilumumab com a quimioterapia também prolonga a vida de pacientes com melanoma em estágio avançado. A nova droga estimula o sistema imunológico a lutar contra a doença.
Com o novo tratamento, a taxa de sobrevida de três anos foi de 20,8% contra 12,2% para os pacientes tratados com a quimioterapia convencional. Em março passado, o novo medicamento, cujo nome comercial é Yervoy, foi aprovado pelo FDA (Federal Drugs Administration), agência reguladora de remédios e alimentos nos EUA. O uso foi aprovado para pacientes com melanoma com metástase e sem chance de cirurgia.
“A expectativa da oncologia mundial é que a combinação dessas novas drogas, que será pesquisada pelos laboratórios a partir de agora, possa ser o caminho futuro no tratamento do melanoma,” explica a oncologista Clarissa Mathias.
Fonte: http://www.consuladosocial.com.br/?p=110333
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Grupo acha mutação genética que causa melanoma
Estudos sobre a genética de tumores raramente trazem conclusões radicais do tipo "este é o gene do câncer", porque a malha de processos que desencadeiam a doença é muito complexa. Um grupo de cientistas no Reino Unido, porém, acaba de apontar uma mutação genética que pode, por conta própria, desencadear o melanoma, o câncer de pele mais letal.
A alteração de DNA estudada pelos cientistas fica num gene batizado de BRAF e está presente em 70% dos melanomas. Um estudo liderado por Richard Marais, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, conseguiu criar a mutação de maneira controlada em camundongos e mostrou que ela pode desencadear o processo que leva melanócitos (células que conferem pigmentação à pele) a formarem tumores.
O sucesso da pesquisa tem implicação tão direta para a clínica que os cientistas já começaram a testar drogas nos animais geneticamente alterados para o tratamento do tumor.
"Nós estamos trabalhando na validação de medicamentos, com drogas que já existem", disse à Folha o patologista Jorge Reis-Filho, coautor do estudo. Segundo ele, há alguns anos, testes clínicos de drogas já tentaram atacar o BRAF e outros genes relacionados, mas os resultados não foram bons. Com os pesquisadores conhecendo mais precisamente seu alvo, porém, as esperanças são maiores. "Agora há inibidores do BRAF mais potentes e mais específicos", afirma. "São esses que a gente vai explorar."
Além de terem revelado um mecanismo para a formação de melanomas, os novos roedores geneticamente alterados poderão servir como modelos animais para estudar a doença.
Em estudo no periódico científico "Cancer Cell", Marais e colegas mostram como foi possível criar os animais. Não foi um experimento trivial, já que o gene BRAF também é ativo em outros tipos de célula do organismo, e os cientistas precisavam fazer com que as cobaias manifestassem a mutação só na epiderme.
O truque foi usar um "promotor", ou seja, vincular a ação do gene escolhido a uma molécula específica, que promove sua ativação. Reis-Filho explica o segredo: "introduzimos o gene mutante no genoma de todas as células do animal, mas o pusemos sob um promotor que é ativado só nos melanócitos, a tirosinase". Essa é uma das moléculas envolvidas na síntese da melanina, molécula que dá pigmentação à pele.
O problema é que há células fora da pele --neurônios, por exemplo-- que também produzem tirosinase. Para garantir que essa molécula promovesse o gene mutante apenas na pele, então, por sua vez, os cientistas vincularam sua ação a uma droga especial. "Quando a gente passava essa pomada, apenas os melanócitos expressavam o gene BRAF com a mutação", conta Reis-Filho. E, por fim, conforme os cientistas queriam demonstrar, o BRAF mutante gerava um melanoma.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u551437.shtml
A alteração de DNA estudada pelos cientistas fica num gene batizado de BRAF e está presente em 70% dos melanomas. Um estudo liderado por Richard Marais, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, conseguiu criar a mutação de maneira controlada em camundongos e mostrou que ela pode desencadear o processo que leva melanócitos (células que conferem pigmentação à pele) a formarem tumores.
O sucesso da pesquisa tem implicação tão direta para a clínica que os cientistas já começaram a testar drogas nos animais geneticamente alterados para o tratamento do tumor.
"Nós estamos trabalhando na validação de medicamentos, com drogas que já existem", disse à Folha o patologista Jorge Reis-Filho, coautor do estudo. Segundo ele, há alguns anos, testes clínicos de drogas já tentaram atacar o BRAF e outros genes relacionados, mas os resultados não foram bons. Com os pesquisadores conhecendo mais precisamente seu alvo, porém, as esperanças são maiores. "Agora há inibidores do BRAF mais potentes e mais específicos", afirma. "São esses que a gente vai explorar."
Além de terem revelado um mecanismo para a formação de melanomas, os novos roedores geneticamente alterados poderão servir como modelos animais para estudar a doença.
Em estudo no periódico científico "Cancer Cell", Marais e colegas mostram como foi possível criar os animais. Não foi um experimento trivial, já que o gene BRAF também é ativo em outros tipos de célula do organismo, e os cientistas precisavam fazer com que as cobaias manifestassem a mutação só na epiderme.
O truque foi usar um "promotor", ou seja, vincular a ação do gene escolhido a uma molécula específica, que promove sua ativação. Reis-Filho explica o segredo: "introduzimos o gene mutante no genoma de todas as células do animal, mas o pusemos sob um promotor que é ativado só nos melanócitos, a tirosinase". Essa é uma das moléculas envolvidas na síntese da melanina, molécula que dá pigmentação à pele.
O problema é que há células fora da pele --neurônios, por exemplo-- que também produzem tirosinase. Para garantir que essa molécula promovesse o gene mutante apenas na pele, então, por sua vez, os cientistas vincularam sua ação a uma droga especial. "Quando a gente passava essa pomada, apenas os melanócitos expressavam o gene BRAF com a mutação", conta Reis-Filho. E, por fim, conforme os cientistas queriam demonstrar, o BRAF mutante gerava um melanoma.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u551437.shtml
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