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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Aprovado o primeiro teste clínico para tratar tumores cerebrais com células-tronco

O ensaio terapêutico, que acaba de ser aprovado pelo FDA (Agência americana Food and Drug Administration), será conduzido por pesquisadores americanos liderados pelas Dras. Karen S. Aboody e  Jana Portnow, do City of Hope, na Califórnia. Trata-se de um centro especializado em tratamento de câncer, diabetes e outras doenças graves. O interessante é que o objetivo não é usar as células-tronco  para substituir as células doentes. Elas  serão usadas como veículo para transportar uma potente droga anticancerígena com o objetivo de tentar destruir um tipo de tumor cerebral muito agressivo, o glioblastoma. Se a experiência for bem-sucedida, será mais uma vitória obtida a partir das pesquisas com células-tronco embrionárias.


Os tumores cerebrais malignos atingem mais de 20.000 americanos anualmente


Há vários tipos de tumores cerebrais malignos. O mais comum em adultos é um tipo de tumor denominado glioblastoma, que é extremamente agressivo. São tumores muito invasivos, resistentes aos métodos convencionais de tratamento, como cirurgia, radiação ou quimioterapia. Um dos grandes obstáculos é a chamada barreira hematoencefálica, que não permite que drogas anticancerígenas potentes cheguem até a região encefálica onde está localizado o tumor, sem fazer um grande “estrago” em volta.  E é aí que entram as células-tronco neurais. Elas vão ser usadas para levar drogas diretamente na região do tumor.  Se bem-sucedida, essa estratégia poderá ser usada para tratar vários tipos de tumores sólidos.


Células-tronco neurais dirigem-se naturalmente para os tumores


A Dra. Karen e colegas foram os primeiros  a demonstrar no ano 2000 que essas células-tronco neurais têm uma tendência de dirigir-se a células tumorais atravessando a barreira hematoencefálica. Resolveram então usar essa característica, também chamada de tropismo, para transportar agentes terapêuticos. Introduziram, em uma linhagem de células-tronco neurais, uma enzima (citosina deaminase) que tem a propriedade de converter uma droga  relativamente não tóxica em um poderoso agente quimioterápico contra células cancerosas.


Essa estratégia permitirá minimizar os efeitos colaterais e permitir um tiro certeiro


A grande vantagem é que a droga não tóxica pode ser administrada pela circulação e só será transformada no composto tóxico na região do tumor onde estarão as células-tronco neurais , afetando o mínimo possível as células saudáveis vizinhas.  Se bem-sucedida, essa estratégia poderá minimizar os terríveis efeitos colaterais dos tratamentos quimioterápicos atuais, que atingem o trato gastrointestinal, a pele e provoca, entre outros, a queda dos cabelos. Em vez de tiro de canhão, será possível atirar e atingir somente o alvo, no caso, o tumor.


A esperança  será  grande


A pesquisa, que será iniciada em breve, incluirá de 12 a 20 pacientes nessa primeira fase. City of Hope significa Cidade da Esperança, em português, um nome  emblemático.  A torcida  será enorme.  Se  a experiência for bem-sucedida, será mais uma demonstração da importância  de se ter aprovado as pesquisas com células-tronco embrionárias.


Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/aprovado-o-primeiro-teste-clinico-para-tratar-tumores-cerebrais-com-celulas-tronco/

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cientistas usam veneno de abelha para combater câncer

- Cientistas da Washington University de St. Louis, nos Estados Unidos, desenvolveram um método que usa veneno de abelhas para matar células cancerosas, ao mesmo tempo em que deixa células saudáveis intactas.

Os pesquisadores acoplaram a toxina melitina, presente no veneno de abelhas, a moléculas, ou nanopartículas, que batizaram de "nanoabelhas".

Depois disso, estas "nanoabelhas" foram introduzidas em ratos que possuíam tumores. De acordo com os pesquisadores, as partículas então atacaram e destruíram apenas as células cancerosas, protegendo outros tecidos do poder destrutivo da melitina.

Após algumas aplicações das "nanoabelhas", os tumores dos ratos teriam encolhido ou parado de crescer, de acordo com os cientistas.

"As nanoabelhas 'voam', pousam na superfície das células e depositam sua carga de melitina, que rapidamente se funde com as células-alvo. Mostramos que a toxina da abelha é levada para as células, onde faz furos em suas estruturas internas", afirmou um dos autores do estudo, Samuel Wickline, que lidera o Centro Siteman de Excelência em Nanotecnologia da Washington University de St. Louis.

Melitina

A melitina é uma pequena proteína, ou peptídeo, que é fortemente atraído para as membranas de células, onde pode abrir poros e matá-las.

"A melitina tem interessado pesquisadores pois, em concentrações altas, pode destruir qualquer célula com que entrar em contato, o que faz com que seja um agente antibacteriano e antifúngico e, potencialmente, um agente contra o câncer", acrescentou Paul Schlesinger, outro autor da pesquisa e professor de biologia celular e fisiologia.

"Células cancerosas podem se adaptar e desenvolver resistência a muitos agentes anticâncer que alteram a função genética ou têm como alvo o DNA das células, mas é difícil para as células encontrar uma forma de driblar o mecanismo que a melitina usa para matar", disse.

O estudo foi publicado na revista científica online Journal of Clinical Investigation.

Testes

Os cientistas testaram as "nanoabelhas" em dois tipos de ratos com tumores cancerosos. Uma variedade de rato teve implantadas células de câncer de mama humano e, a outra, células de melanoma.

Depois de quatro ou cinco injeções das nanopartículas que carregavam a melitina, durante vários dias, o crescimento dos tumores de câncer de mama nos ratos desacelerou em 25%, e o tamanho dos tumores de melanoma nos ratos diminuiu em 88%, comparados aos tumores não tratados.

Os pesquisadores sugerem que as "nanoabelhas" se juntaram nestes tumores sólidos devido ao fato de tumores frequentemente apresentarem vasos sanguíneos com vazamentos, e tendem a reter material.

Cientistas chamam isto de permeabilidade aumentada e efeito de retenção dos tumores, e isto explica a razão de alguns medicamentos se concentrarem mais em tecido de tumores do que em tecidos normais.

Os cientistas americanos também desenvolveram um método mais específico para ter certeza de que as "nanoabelhas" ataquem os tumores, e não o tecido saudável, ao carregarem estes dispositivos com componentes adicionais.

Quando eles adicionaram um outro agente que era atraído pelos vasos sanguíneos em crescimento em volta dos tumores, as "nanoabelhas" foram guiadas para células de lesões pré-cancerosas, que estavam aumentando rapidamente seu fornecimento de sangue.

As injeções com "nanoabelhas" reduziram em 80% a extensão da proliferação destas células pré-cancerosas, de câncer de pele, em ratos.

Destruição

Se uma quantidade significativa de melitina fosse injetada diretamente na corrente sanguínea, sem proteção nenhuma, o resultado seria uma grande destruição de glóbulos vermelhos do sangue.

Os pesquisadores da Washington University mostraram que as nanopartículas protegeram os glóbulos vermelhos dos ratos e outros tecidos dos efeitos tóxicos da melitina. As "nanoabelhas" injetadas na corrente sanguínea não prejudicaram os ratos e não causaram danos aos órgãos.

E, estando dentro das "nanoabelhas", a melitina também não foi destruída pelas enzimas que quebram proteínas, produzidas naturalmente pelo corpo.

O centro das "nanoabelhas" é composto de perfluorocarbono, um composto inerte que é usado em sangue artificial.

"As 'nanoabelhas' são uma forma eficaz de embalar a melitina, que é útil, mas potencialmente letal, isolando (a toxina) para que não prejudique células normais ou seja degradada antes de chegar ao alvo", afirmou Paul Schlesinger.

A flexibilidade destas "nanoabelhas" e outras nanopartículas criadas pelo grupo na Washington University sugere que elas poderiam ser adaptadas para atender a várias necessidades médicas.

"Potencialmente, (nanopartículas) poderiam ser formuladas para um paciente em particular", afirmou Schlesinger. "Estamos aprendendo mais e mais a respeito da biologia de tumores e este conhecimento pode permitir, em breve, que criemos nanopartículas para tumores específicos, usando o tratamento das nanoabelhas."

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Mutação genética está vinculada a câncer cerebral e maior sobrevivência

A mutação de dois genes estaria vinculada em grande parte à aparição de tumores cancerígenas no cérebro e à sobrevivência por mais tempo à doença, segundo um estudo que poderá abrir caminhos para tratamentos mais especializados.

Os pesquisadores do Centro de Oncologia da Universidade Johns Hopkins e da faculdade de medicina da Universidade Duke (Carolina do Norte) descobriram que variações nos genes IDH1 e IDH2 estão associadas a mais de três quartos dos tumores cancerígenas no cérebro ou gliomas.

Além disso, as pessoas com estas alterações genéticas parecem viver pelo menos duas vezes mais tempo que as demais, segundo os autores do trabalho publicado no New England Journal of Medicine (NEJM) de 19 de fevereiro.

"Pode se tratar de uma das descobertas mais importantes na pesquisa genética sobre os gliomas cancerígenas", assegurou o dr. Hai Yan, do serviço de patologia da faculdade de medicina de Duke e principal autor do estudo.

As pesquisas sobre estes genes podem, além disso, gerar diagnósticos mais precisos, assim como novos tratamentos para os tipos de câncer mais agressivos.

Os pesquisadores analsiaram mostras de tecidos de 500 tumores cerebrais cancerígenas e de outros 500 não situados no sistema nervoso central.

Os cientistas detectaram mutações no gene IDH1 em mais de 70% dos gliomas mais freqüentes.


Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/02/19/mutacao+genetica+esta+vinculada+a+cancer+cerebral+e+maior+sobrevivencia+4163915.html