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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Vírus transgênico é promessa no combate ao câncer
Um teste clínico realizado em 23 pacientes com diversos tipos de tumores sólidos - como cânceres de pulmão, de intestino, melanomas, etc. - comprovou, pela primeira vez, que vírus geneticamente modificados podem combater as células doentes de forma específica, sem infectar as sadias.
Pesquisadores americanos e canadenses recorreram a uma cepa do vírus Vaccinia, utilizado na imunização contra a varíola. A linhagem - batizada de JX-594 - já apresentava afinidade com células cancerosas. Mas os pesquisadores aumentaram seu arsenal antitumoral: incluíram um gene que produz o fator GM-CSF, responsável por estimular a imunidade natural do organismo humano ao câncer.
Os pacientes - todos com a doença no estágio de metástase - foram divididos em cinco grupos. Cada um recebeu uma dose intravenosa específica do vírus.
Dos oito pacientes incluídos nos dois grupos com as maiores doses, sete apresentaram evidências de replicação viral no tumor. Seis experimentaram uma melhora ou, pelo menos, uma estabilização do câncer. O trabalho mereceu publicação na revista Nature.
"Os resultados são muito promissores, especialmente se levamos em conta que foi só um teste de fase 1 (ou seja, com poucos pacientes e destinado a comprovar a segurança do método), com uma única dose da terapia", afirma John Bell, da Universidade de Ottawa, no Canadá.
Outros testes clínicos recorrem a estratégias baseadas em vírus para combater um câncer, mas ainda não demonstraram especificidade. Um estudo, já na frase 3, por exemplo, utiliza um vírus modificado do herpes para produzir o fator GM-CSF.
Para Enrique Boccardo, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, o trabalho representa um avanço. "Eles utilizaram um vírus cuja segurança já foi consagrada: ele já havia sido usado na erradicação da varíola", afirma Boccardo.
"De qualquer forma, os resultados ainda são tímidos." O cientista recorda que, nos testes, só foram incluídos pacientes que não reagiam mais a tratamento algum. "Em voluntários com um perfil menos agressivo de câncer, os resultados poderiam ser melhores", afirma.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,virus-transgenico-e-promessa-no-combate-ao-cancer,766766,0.htm
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Novas drogas aumentam sobrevida de pacientes com melanoma avançado
Segundo a OMS, todo ano são registrados cerca de 130 mil casos de melanoma no planeta, tipo mais agressivo de câncer de pele devido à sua alta capacidade de produzir metástase. Um estudo cientifico, apresentado à comunidade médica internacional no início desse mês, promete revolucionar o tratamento do melanoma.
Pesquisadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, testaram uma nova terapia para inibir a ação de um gene cujo papel é fundamental no desenvolvimento do melanoma. Os resultados do estudo foram apresentados na a 47ª Conferência Anual da American Society of Clinical Oncology (Asco), realizada em Chicago, de 3 a 7 de junho. O evento é considerado o mais importante encontro da oncologia mundial. Uma equipe de especialistas do Núcleo de Oncologia da Bahia marcou presença no encontro, que abordou os últimos avanços na área.
O estudo comparativo, liderado pelo médico Paul Chapman, foi realizado com 675 pacientes com melanoma metastático que não haviam sido tratados anteriormente, portadores de mutações do gene BRAF. A metade dos pacientes foi submetida à terapia com vemurafenib, droga experimental administrada oralmente. O outro grupo foi tratado com quimioterapia convencional, a dacarbazina, substância que é usada desde 1975.
Depois de três meses, os resultados mostraram que pacientes tratados com o vemurafenib tiveram suas chances de sobrevida aumentadas 63% em comparação com os que usaram a quimioterapia convencional, além de terem apresentado 74% menos risco de avanço da doença. Além da eficácia nos resultados, menos de 10% dos pacientes tratados com a nova droga apresentaram efeitos colaterais.
“O tratamento representa um avanço significativo no tratamento do melanoma na medida que traz resultados efetivos e possibilita aumentar a longevidade e a qualidade de vida dos pacientes,” destaca a oncologista Clarissa Mathias, do Núcleo de Oncologia da Bahia, que esteve presente na Conferência da Asco.
Por sua capacidade de neutralizar a mutação celular, a nova droga foi considerada eficaz tanto para casos de melanoma em pacientes portadores de mutações genéticas específicas, como para aqueles que apresentam melanoma em estágio avançado com metástases.
Há a expectativa que as agências reguladoras de medicamentos nos EUA e Europa aprovem a nova droga até o fim do ano.
Outra pesquisa apresentada na Conferência Anual da American Society of Clinical Oncology (Asco) revela que a combinação da droga ipilumumab com a quimioterapia também prolonga a vida de pacientes com melanoma em estágio avançado. A nova droga estimula o sistema imunológico a lutar contra a doença.
Com o novo tratamento, a taxa de sobrevida de três anos foi de 20,8% contra 12,2% para os pacientes tratados com a quimioterapia convencional. Em março passado, o novo medicamento, cujo nome comercial é Yervoy, foi aprovado pelo FDA (Federal Drugs Administration), agência reguladora de remédios e alimentos nos EUA. O uso foi aprovado para pacientes com melanoma com metástase e sem chance de cirurgia.
“A expectativa da oncologia mundial é que a combinação dessas novas drogas, que será pesquisada pelos laboratórios a partir de agora, possa ser o caminho futuro no tratamento do melanoma,” explica a oncologista Clarissa Mathias.
Fonte: http://www.consuladosocial.com.br/?p=110333
Pesquisadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, testaram uma nova terapia para inibir a ação de um gene cujo papel é fundamental no desenvolvimento do melanoma. Os resultados do estudo foram apresentados na a 47ª Conferência Anual da American Society of Clinical Oncology (Asco), realizada em Chicago, de 3 a 7 de junho. O evento é considerado o mais importante encontro da oncologia mundial. Uma equipe de especialistas do Núcleo de Oncologia da Bahia marcou presença no encontro, que abordou os últimos avanços na área.
O estudo comparativo, liderado pelo médico Paul Chapman, foi realizado com 675 pacientes com melanoma metastático que não haviam sido tratados anteriormente, portadores de mutações do gene BRAF. A metade dos pacientes foi submetida à terapia com vemurafenib, droga experimental administrada oralmente. O outro grupo foi tratado com quimioterapia convencional, a dacarbazina, substância que é usada desde 1975.
Depois de três meses, os resultados mostraram que pacientes tratados com o vemurafenib tiveram suas chances de sobrevida aumentadas 63% em comparação com os que usaram a quimioterapia convencional, além de terem apresentado 74% menos risco de avanço da doença. Além da eficácia nos resultados, menos de 10% dos pacientes tratados com a nova droga apresentaram efeitos colaterais.
“O tratamento representa um avanço significativo no tratamento do melanoma na medida que traz resultados efetivos e possibilita aumentar a longevidade e a qualidade de vida dos pacientes,” destaca a oncologista Clarissa Mathias, do Núcleo de Oncologia da Bahia, que esteve presente na Conferência da Asco.
Por sua capacidade de neutralizar a mutação celular, a nova droga foi considerada eficaz tanto para casos de melanoma em pacientes portadores de mutações genéticas específicas, como para aqueles que apresentam melanoma em estágio avançado com metástases.
Há a expectativa que as agências reguladoras de medicamentos nos EUA e Europa aprovem a nova droga até o fim do ano.
Outra pesquisa apresentada na Conferência Anual da American Society of Clinical Oncology (Asco) revela que a combinação da droga ipilumumab com a quimioterapia também prolonga a vida de pacientes com melanoma em estágio avançado. A nova droga estimula o sistema imunológico a lutar contra a doença.
Com o novo tratamento, a taxa de sobrevida de três anos foi de 20,8% contra 12,2% para os pacientes tratados com a quimioterapia convencional. Em março passado, o novo medicamento, cujo nome comercial é Yervoy, foi aprovado pelo FDA (Federal Drugs Administration), agência reguladora de remédios e alimentos nos EUA. O uso foi aprovado para pacientes com melanoma com metástase e sem chance de cirurgia.
“A expectativa da oncologia mundial é que a combinação dessas novas drogas, que será pesquisada pelos laboratórios a partir de agora, possa ser o caminho futuro no tratamento do melanoma,” explica a oncologista Clarissa Mathias.
Fonte: http://www.consuladosocial.com.br/?p=110333
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sábado, 26 de junho de 2010
Pesquisadores apresentam tratamento para combater melanoma avançado
WASHINGTON - Um tratamento experimental que trabalha com o sistema de imunidade poderia proporcionar uma forma inovadora de combater o melanoma avançado, tipo de câncer que pode ocasionar a morte em seis meses.
Um estudo apresentado neste sábado, 5, na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago, assinala que, com dois tratamentos - uma vacina terapêutica chamada gp 100 e um estimulador de imunidade chamado ipilimumab -, o número de pacientes que prolongaram sua expectativa de vida duplicou.
Assim, os pacientes que receberam só a vacina viveram em média seis meses, enquanto os que receberam só ipilimumab, ou uma combinação dos dois compostos, alcançaram uma média de vida de dez meses. O estudou analisou 670 pacientes e foi financiado pelo Medarex Inc, que desenvolveu o ipilimumab.
Segundo o diretor da pesquisa do melanoma do Instituto de Pesquisa Los Angeles, em Santa Mónica (EUA), Steven O'Day, o ipilimumab é o primeiro remédio que melhorou a sobrevivência de pacientes com melanoma avançado em prova com grande número de indivíduos.
Esse remédio emprega a capacidade de imunidade do corpo para combater o câncer, assinalou Lynn Schuchter, chefe de Hematologia e Oncologia do Centro Abramson do Câncer, na Universidade da Pensilvânia, que usou ipilimumab em seus pacientes.
O composto "tira os freios" das células T, que combatem as doenças, acrescentou Schuchter. No entanto, o estímulo ao sistema de imunidade pode fazer com que o organismo ataque tecidos que estão bem, explicou Ou'Day.
No estudo, os pacientes que obtiveram mais benefícios do remédio foram também os mais propensos a desenvolver problemas de autoimunidade.
De acordo com a pesquisa, publicada pela revista The New England Journal of Medicine, quase dois terços dos pacientes sofreram efeitos secundários, tais como erupções da pele, diarreia, desequilíbrios da tireoide e hepatite.
Embora a maior parte das complicações pudesse ser reduzida com outros remédios, de 10% a 15% dos efeitos secundários foram graves.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pesquisadores-apresentam-tratamento-para-combater-melanoma-avancado,562100,0.htm
Um estudo apresentado neste sábado, 5, na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago, assinala que, com dois tratamentos - uma vacina terapêutica chamada gp 100 e um estimulador de imunidade chamado ipilimumab -, o número de pacientes que prolongaram sua expectativa de vida duplicou.
Assim, os pacientes que receberam só a vacina viveram em média seis meses, enquanto os que receberam só ipilimumab, ou uma combinação dos dois compostos, alcançaram uma média de vida de dez meses. O estudou analisou 670 pacientes e foi financiado pelo Medarex Inc, que desenvolveu o ipilimumab.
Segundo o diretor da pesquisa do melanoma do Instituto de Pesquisa Los Angeles, em Santa Mónica (EUA), Steven O'Day, o ipilimumab é o primeiro remédio que melhorou a sobrevivência de pacientes com melanoma avançado em prova com grande número de indivíduos.
Esse remédio emprega a capacidade de imunidade do corpo para combater o câncer, assinalou Lynn Schuchter, chefe de Hematologia e Oncologia do Centro Abramson do Câncer, na Universidade da Pensilvânia, que usou ipilimumab em seus pacientes.
O composto "tira os freios" das células T, que combatem as doenças, acrescentou Schuchter. No entanto, o estímulo ao sistema de imunidade pode fazer com que o organismo ataque tecidos que estão bem, explicou Ou'Day.
No estudo, os pacientes que obtiveram mais benefícios do remédio foram também os mais propensos a desenvolver problemas de autoimunidade.
De acordo com a pesquisa, publicada pela revista The New England Journal of Medicine, quase dois terços dos pacientes sofreram efeitos secundários, tais como erupções da pele, diarreia, desequilíbrios da tireoide e hepatite.
Embora a maior parte das complicações pudesse ser reduzida com outros remédios, de 10% a 15% dos efeitos secundários foram graves.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pesquisadores-apresentam-tratamento-para-combater-melanoma-avancado,562100,0.htm
Vinholes divulga nova droga para tratar o câncer de próstata
Há 46 anos, médicos especializados no tratamento do câncer de todo o mundo se reúnem nos Estados Unidos para discutir as novas pesquisas e descobertas na área. As principais inovações trazidas em 2010 foram no tratamento de pacientes com cânceres em estágios mais sérios e que já passaram por procedimentos anteriores. “Foi descoberta uma nova quimioterapia para tratar o câncer de próstata, já em metástase, com o medicamento chamado Cabazitaxel”, explica o oncologista gaúcho Jeferson Vinholes, que participou do Congresso Mundial da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago. O evento ocorreu entre os dias 4 e 8 de junho e reuniu cerca de 30 mil participantes.
O Cabazitaxel é um composto experimental que age contra as linhas de células resistentes a quimioterapias. Nos estudos pré-clínicos, o remédio demonstrou a inibição da divisão celular e da proliferação das células tumorais. Segundo o médico, o estudo revelou que o uso do medicamento aumentou a sobrevida dos pacientes graves e possibilitou um novo tratamento efetivo nesses casos.
Um novo tratamento para o melanoma, tipo de câncer de pele grave, no grau de metástase, também foi apresentado no congresso. O Rio Grande do Sul é o segundo estado com maior incidência da doença, devido à pele clara, e deve se beneficiar com a descoberta. O medicamento Ipilimumab é um imunomodulador atuante no sistema imunológico que confere aumento da resposta orgânica. “Durante 30 anos não se teve um novo remédio e é a primeira vez na história que se constatou melhora significativa para esses casos”, afirma Vinholes. No momento, o Ipilimumab está sendo testado para outros tipos de cânceres. Posteriormente, serão investigados os benefícios e riscos da droga a longo prazo.
No ano passado, o encontro abordou o tema da personalização da cura do câncer, destacando que a ciência comprovou recentemente que os tumores são subdivididos em vários tipos, mais e menos agressivos. Frente a isso, há a necessidade de tratamento diferenciado. Vinholes garante que esta vertente está cada dia progredindo mais, mas que ainda é um caminho muito longo devido à especificidade de cada fator. “Passado um ano, essas pesquisas continuaram mais fortes e não há como mudar esse foco. Porém, no caso do câncer de mama, no qual se pensava que existiam cinco subtipos, hoje já descobrimos dez”, finaliza.
Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=31655&codp=104&codni=3
O Cabazitaxel é um composto experimental que age contra as linhas de células resistentes a quimioterapias. Nos estudos pré-clínicos, o remédio demonstrou a inibição da divisão celular e da proliferação das células tumorais. Segundo o médico, o estudo revelou que o uso do medicamento aumentou a sobrevida dos pacientes graves e possibilitou um novo tratamento efetivo nesses casos.
Um novo tratamento para o melanoma, tipo de câncer de pele grave, no grau de metástase, também foi apresentado no congresso. O Rio Grande do Sul é o segundo estado com maior incidência da doença, devido à pele clara, e deve se beneficiar com a descoberta. O medicamento Ipilimumab é um imunomodulador atuante no sistema imunológico que confere aumento da resposta orgânica. “Durante 30 anos não se teve um novo remédio e é a primeira vez na história que se constatou melhora significativa para esses casos”, afirma Vinholes. No momento, o Ipilimumab está sendo testado para outros tipos de cânceres. Posteriormente, serão investigados os benefícios e riscos da droga a longo prazo.
No ano passado, o encontro abordou o tema da personalização da cura do câncer, destacando que a ciência comprovou recentemente que os tumores são subdivididos em vários tipos, mais e menos agressivos. Frente a isso, há a necessidade de tratamento diferenciado. Vinholes garante que esta vertente está cada dia progredindo mais, mas que ainda é um caminho muito longo devido à especificidade de cada fator. “Passado um ano, essas pesquisas continuaram mais fortes e não há como mudar esse foco. Porém, no caso do câncer de mama, no qual se pensava que existiam cinco subtipos, hoje já descobrimos dez”, finaliza.
Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=31655&codp=104&codni=3
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domingo, 20 de junho de 2010
Novas terapias contra câncer trazem esperanças, mas ainda são falhas
Ideia de que tumor será caracterizado por perfil molecular é frágil.
Terapia personalizada depende de drogas para subconjuntos de pacientes.
A droga experimental PLX4032, que reverte os efeitos de uma mutação encontrada em certos tumores, é considerada um grande exemplo das terapias de câncer “direcionadas” do futuro. A droga produziu resultados aparentemente milagrosos em alguns pacientes com melanoma.
Mas quase não houve efeito quando a droga foi testada em pacientes cujos tumores colorretais tinham a mesma mutação, como relataram pesquisadores na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, semana passada.
Mesma droga, mesma mutação, resultado diferente.
As descobertas servem como mais um lembrete de como o câncer pode ser diabolicamente complexo e quanta coisa ainda não foi compreendida. Elas trazem uma dose de moderação ao entusiasmo que estava se acumulando em relação às terapias direcionadas, que agem para bloquear anormalidades específicas que estimulam o crescimento do tumor.
De fato, embora os pesquisadores presentes na reunião tenham saudado o recente sucesso da droga, eles reconheceram que o caminho para o progresso não é tão fácil quanto previsto. Muitas terapias direcionadas estão falhando em testes clínicos.
“Passamos por um período muito rápido de altas expectativas, maturação e decepções”, diz Leonard Lichtenfeld, vice-diretor médico da Sociedade Americana de Câncer. “Acho que houve quase uma ingenuidade na ideia de que, se pudéssemos encontrar o alvo, teríamos a cura.”
Scott Kopetz, do M.D. Anderson Cancer Center em Houston, avalia que, após um período de grandes avanços que culminou na aprovação, em 2004, de duas drogas direcionadas – Avastin e Erbitux –, o progresso contra o câncer de cólon estancou. “Nos últimos cinco anos, acho que não fizemos nenhum progresso”, admite.
Uma das estrelas da conferência de oncologia foi a Pfizer, cuja droga experimental crizotinibc encolheu os tumores em quase todos os pacientes com uma anormalidade genética específica. A anormalidade foi descoberta apenas há três anos, e a droga está indo para o mercado.
Mas a Pfizer vem colecionando inúmeras falhas, menos divulgadas, em testes para outras terapias direcionadas. Sua droga para o câncer de rim, Sutent, não funcionou como tratamento para câncer de mama, cólon e fígado. Outra droga que bloqueia uma proteína falhou como tratamento de câncer de pulmão.
“Fiquei realmente surpreso quando os resultados negativos apareceram”, diz Mace Rothenberg, oncologista que lidera os testes clínicos de câncer da Pfizer.
DROGAS DIRECIONADAS
A quimioterapia convencional normalmente trabalha matando rapidamente as células em divisão. Isso pode atingir o tumor, mas também certas células normais, causando efeitos colaterais como queda de cabelo, náusea, diarreia e anemia.
erapias direcionadas, em contraste, miram em proteínas que de alguma forma contribuem para o crescimento ou sobrevivência do tumor, mas idealmente não são encontradas em células saudáveis. Isso poderia se traduzir em mais eficácia com menos efeitos colaterais.
Inúmeras drogas direcionadas estão sendo usadas e estão melhorando o tratamento. Um modelo é a Glivec, que pode manter a leucemia mieloide crônica sob controle por anos. Outras incluem a Tarceva, para câncer de pulmão, e Nexavar, para câncer de rim e fígado.
No entanto, as drogas têm seus próprios efeitos colaterais. Em muitos casos, elas funcionam melhor quando usadas com quimioterapias. Assim, os pacientes não podem escapar dos efeitos colaterais da quimioterapia.
Entusiastas das drogas direcionadas vêm dizendo há anos que os tumores serão caracterizados por seus perfis moleculares – quais genes modificados eles possuem – em vez do local no corpo onde eles ocorrem. Nomes como câncer de mama e câncer de pulmão serão suplantados por termos como tumores B-RAF-positivo ou EGFR-positivo. E as drogas serão selecionadas com base nesse perfil, da mesma forma como os antibióticos são geralmente selecionados com base no agente que está causando a infecção, não no local do corpo onde ela ocorre.
O Hospital Geral de Massachusetts, por exemplo, está conduzindo um teste clínico de uma droga da AstraZeneca para qualquer tipo de câncer – desde que ele tenha uma mutação no gene B-RAF, o mesmo gene que é alvo da PLX4032.
Mas o teste da PLX4032 para câncer de cólon sugere que a localização do tumor ainda importa, que não será apenas uma questão de observar o alvo.
Pode haver diferenças até com o mesmo tipo de câncer. Pesquisadores relataram na conferência que a Erbitux, também conhecida como cetuximab, não prolongou a sobrevivência após cirurgias de câncer de cólon em estágio inicial, embora a droga funcione para o câncer colorretal metastático.
As características físicas de uma droga também contam. A Avastin funciona do lado de fora das células para bloquear a ação de uma proteína chamada VEGF, que incentiva a formação de vasos sanguíneos que nutrem os tumores. Ela prolonga a sobrevivência nos casos de câncer de cólon e de pulmão.
Porém, as chamadas drogas de pequenas moléculas, que tentam bloquear a ação da VEGF ao trabalhar dentro das células, falharam em muitos testes para câncer de pulmão e de cólon.
´TERAPIA SUPERDIRECIONADA´
Muitos pesquisadores afirmam que caminho do progresso é ir da terapia meramente direcionada a uma terapia verdadeiramente personalizada.
Alguns importantes geneticistas da Universidade de Harvard, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e do Broad Institute recentemente ajudaram na abertura de uma empresa, a Foundation Medicine, que planeja desenvolver uma elaboração abrangente de perfil do tumor de um paciente, a fim de ajudar os médicos a personalizar a terapia.
Alguns grandes centros de câncer já estão fazendo isso sozinhos, especialmente para o câncer de pulmão.
No Sloan-Kettering, amostras de tumores de pacientes com certo tipo de câncer de pulmão são testadas para 91 mutações em oito genes. Na metade dos casos, os testes descobriram uma mutação que leva ao câncer. Em 18% dos casos, as descobertas influenciam a escolha da terapia.
A desvantagem dessa abordagem personalizada é que levará anos para desenvolver drogas para cada subconjunto de pacientes.
Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/06/novas-terapias-contra-cancer-trazem-esperancas-mas-ainda-sao-falhas.html
Terapia personalizada depende de drogas para subconjuntos de pacientes.
A droga experimental PLX4032, que reverte os efeitos de uma mutação encontrada em certos tumores, é considerada um grande exemplo das terapias de câncer “direcionadas” do futuro. A droga produziu resultados aparentemente milagrosos em alguns pacientes com melanoma.
Mas quase não houve efeito quando a droga foi testada em pacientes cujos tumores colorretais tinham a mesma mutação, como relataram pesquisadores na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, semana passada.
Mesma droga, mesma mutação, resultado diferente.
As descobertas servem como mais um lembrete de como o câncer pode ser diabolicamente complexo e quanta coisa ainda não foi compreendida. Elas trazem uma dose de moderação ao entusiasmo que estava se acumulando em relação às terapias direcionadas, que agem para bloquear anormalidades específicas que estimulam o crescimento do tumor.
De fato, embora os pesquisadores presentes na reunião tenham saudado o recente sucesso da droga, eles reconheceram que o caminho para o progresso não é tão fácil quanto previsto. Muitas terapias direcionadas estão falhando em testes clínicos.
“Passamos por um período muito rápido de altas expectativas, maturação e decepções”, diz Leonard Lichtenfeld, vice-diretor médico da Sociedade Americana de Câncer. “Acho que houve quase uma ingenuidade na ideia de que, se pudéssemos encontrar o alvo, teríamos a cura.”
Scott Kopetz, do M.D. Anderson Cancer Center em Houston, avalia que, após um período de grandes avanços que culminou na aprovação, em 2004, de duas drogas direcionadas – Avastin e Erbitux –, o progresso contra o câncer de cólon estancou. “Nos últimos cinco anos, acho que não fizemos nenhum progresso”, admite.
Uma das estrelas da conferência de oncologia foi a Pfizer, cuja droga experimental crizotinibc encolheu os tumores em quase todos os pacientes com uma anormalidade genética específica. A anormalidade foi descoberta apenas há três anos, e a droga está indo para o mercado.
Mas a Pfizer vem colecionando inúmeras falhas, menos divulgadas, em testes para outras terapias direcionadas. Sua droga para o câncer de rim, Sutent, não funcionou como tratamento para câncer de mama, cólon e fígado. Outra droga que bloqueia uma proteína falhou como tratamento de câncer de pulmão.
“Fiquei realmente surpreso quando os resultados negativos apareceram”, diz Mace Rothenberg, oncologista que lidera os testes clínicos de câncer da Pfizer.
DROGAS DIRECIONADAS
A quimioterapia convencional normalmente trabalha matando rapidamente as células em divisão. Isso pode atingir o tumor, mas também certas células normais, causando efeitos colaterais como queda de cabelo, náusea, diarreia e anemia.
erapias direcionadas, em contraste, miram em proteínas que de alguma forma contribuem para o crescimento ou sobrevivência do tumor, mas idealmente não são encontradas em células saudáveis. Isso poderia se traduzir em mais eficácia com menos efeitos colaterais.
Inúmeras drogas direcionadas estão sendo usadas e estão melhorando o tratamento. Um modelo é a Glivec, que pode manter a leucemia mieloide crônica sob controle por anos. Outras incluem a Tarceva, para câncer de pulmão, e Nexavar, para câncer de rim e fígado.
No entanto, as drogas têm seus próprios efeitos colaterais. Em muitos casos, elas funcionam melhor quando usadas com quimioterapias. Assim, os pacientes não podem escapar dos efeitos colaterais da quimioterapia.
Entusiastas das drogas direcionadas vêm dizendo há anos que os tumores serão caracterizados por seus perfis moleculares – quais genes modificados eles possuem – em vez do local no corpo onde eles ocorrem. Nomes como câncer de mama e câncer de pulmão serão suplantados por termos como tumores B-RAF-positivo ou EGFR-positivo. E as drogas serão selecionadas com base nesse perfil, da mesma forma como os antibióticos são geralmente selecionados com base no agente que está causando a infecção, não no local do corpo onde ela ocorre.
O Hospital Geral de Massachusetts, por exemplo, está conduzindo um teste clínico de uma droga da AstraZeneca para qualquer tipo de câncer – desde que ele tenha uma mutação no gene B-RAF, o mesmo gene que é alvo da PLX4032.
Mas o teste da PLX4032 para câncer de cólon sugere que a localização do tumor ainda importa, que não será apenas uma questão de observar o alvo.
Pode haver diferenças até com o mesmo tipo de câncer. Pesquisadores relataram na conferência que a Erbitux, também conhecida como cetuximab, não prolongou a sobrevivência após cirurgias de câncer de cólon em estágio inicial, embora a droga funcione para o câncer colorretal metastático.
As características físicas de uma droga também contam. A Avastin funciona do lado de fora das células para bloquear a ação de uma proteína chamada VEGF, que incentiva a formação de vasos sanguíneos que nutrem os tumores. Ela prolonga a sobrevivência nos casos de câncer de cólon e de pulmão.
Porém, as chamadas drogas de pequenas moléculas, que tentam bloquear a ação da VEGF ao trabalhar dentro das células, falharam em muitos testes para câncer de pulmão e de cólon.
´TERAPIA SUPERDIRECIONADA´
Muitos pesquisadores afirmam que caminho do progresso é ir da terapia meramente direcionada a uma terapia verdadeiramente personalizada.
Alguns importantes geneticistas da Universidade de Harvard, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e do Broad Institute recentemente ajudaram na abertura de uma empresa, a Foundation Medicine, que planeja desenvolver uma elaboração abrangente de perfil do tumor de um paciente, a fim de ajudar os médicos a personalizar a terapia.
Alguns grandes centros de câncer já estão fazendo isso sozinhos, especialmente para o câncer de pulmão.
No Sloan-Kettering, amostras de tumores de pacientes com certo tipo de câncer de pulmão são testadas para 91 mutações em oito genes. Na metade dos casos, os testes descobriram uma mutação que leva ao câncer. Em 18% dos casos, as descobertas influenciam a escolha da terapia.
A desvantagem dessa abordagem personalizada é que levará anos para desenvolver drogas para cada subconjunto de pacientes.
Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/06/novas-terapias-contra-cancer-trazem-esperancas-mas-ainda-sao-falhas.html
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Pesquisa do Instituto Butantan usa saliva de carrapato-estrela contra câncer
Testando a proteína em células de vaso sanguíneo para medir seu nível de toxicidade, descobriu-se que a substância é segura para células saudáveis, mas fatal para células tumorais. O experimento foi então extendido a camundongos que tiveram melanomas (câncer de pele) induzidos, e o resultado surpreendeu os pesquisadores.
Tratados durante 42 dias com a proteína, os tumores dos camundongos apresentaram reversão completa. “Testamos em culturas de células tumorais e a surpresa foi positiva, pois a proteína tem atividade altamente citotóxica para elas e não para células normais”, explica Ana Marisa.
Algumas das explicações que os cientistas buscam agora são como funciona a ação pró-coagulante de alguns tipos de tumores – como o melanoma e o de pâncreas – e a inibição de mecanismos de divisão celular. “Essa relação é um grande achado, pois quando você retira sangue desses tumores pode ver ele coagular ainda na seringa”, diz a pesquisadora do Butantan.
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1265464-5603,00.html
Tratados durante 42 dias com a proteína, os tumores dos camundongos apresentaram reversão completa. “Testamos em culturas de células tumorais e a surpresa foi positiva, pois a proteína tem atividade altamente citotóxica para elas e não para células normais”, explica Ana Marisa.
Algumas das explicações que os cientistas buscam agora são como funciona a ação pró-coagulante de alguns tipos de tumores – como o melanoma e o de pâncreas – e a inibição de mecanismos de divisão celular. “Essa relação é um grande achado, pois quando você retira sangue desses tumores pode ver ele coagular ainda na seringa”, diz a pesquisadora do Butantan.
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1265464-5603,00.html
domingo, 9 de agosto de 2009
Novidades na luta contra o câncer de pele
Pesquisadores espanhóis do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas identificaram um composto sintético capaz de desencadear a autodestruição em massa de células de melanoma, o que abre as portas para a fabricação de novos medicamentos para combater o tumor de pele. O estudo foi publicado na revista científica Cancer Cell.
A molécula ativa dois programas de morte das células: a apoptose e a autofagia. A apoptose é uma modalidade específica de morte celular, ligada ao controle do desenvolvimento e do crescimento, enquanto a autofagia é um processo pelo qual as células são digeridas. O grupo de cientistas, dirigido por María Soengas, tinha conseguido, em pesquisas anteriores, encontrar os compostos capazes de ativar a apoptose em células de melanoma, mas estes medicamentos tinham sérios efeitos colaterais ou não eram suficientemente potentes contra a metástase (quando o câncer se espalha para outros órgãos).
De acordo com a pesquisadora, o ponto mais importante da pesquisa é ter descoberto o modo pelo qual se ativam simultaneamente os dois processos de morte celular. Até o momento, os medicamentos só eram capazes de ativar um deles, e não os dois ao mesmo tempo.
– Vimos que, com ratos, é efetivo. Agora temos de melhorar sua administração e eficácia – planeja María.
Fonte: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/vidafeminina/19,0,2609602,Novidades-na-luta-contra-o-cancer-de-pele.html
A molécula ativa dois programas de morte das células: a apoptose e a autofagia. A apoptose é uma modalidade específica de morte celular, ligada ao controle do desenvolvimento e do crescimento, enquanto a autofagia é um processo pelo qual as células são digeridas. O grupo de cientistas, dirigido por María Soengas, tinha conseguido, em pesquisas anteriores, encontrar os compostos capazes de ativar a apoptose em células de melanoma, mas estes medicamentos tinham sérios efeitos colaterais ou não eram suficientemente potentes contra a metástase (quando o câncer se espalha para outros órgãos).
De acordo com a pesquisadora, o ponto mais importante da pesquisa é ter descoberto o modo pelo qual se ativam simultaneamente os dois processos de morte celular. Até o momento, os medicamentos só eram capazes de ativar um deles, e não os dois ao mesmo tempo.
– Vimos que, com ratos, é efetivo. Agora temos de melhorar sua administração e eficácia – planeja María.
Fonte: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/vidafeminina/19,0,2609602,Novidades-na-luta-contra-o-cancer-de-pele.html
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Descoberta molécula que ativa destruição do câncer de pele
MADRI - Pesquisadores espanhóis identificaram um composto sintético capaz de desencadear a autodestruição em massa de células de melanoma, o que abre as portas para a fabricação de novos medicamentos para combater o tumor de pele.
Trata-se de uma molécula sintética que ativa dois programas de morte celular: a apoptose e a autofagia.
A apoptose é uma modalidade específica de morte celular, ligada ao controle do desenvolvimento e do crescimento, enquanto a autofagia é um processo pelo qual as células são digeridas.
O grupo de cientistas do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO, na sigla em espanhol), dirigido por María Soengas, tinha conseguido, em pesquisas anteriores, encontrar os compostos capazes de ativar a apoptose em células de melanoma, mas estes medicamentos tinham sérios efeitos colaterais ou não eram suficientemente potentes contra a metástase.
"O interessante" deste estudo, publicado no último número da revista científica Cancer Cell, é ter descoberto o modo pelo qual se ativam simultaneamente os dois processos de morte celular, segundo María, que especificou que, até o momento, os medicamentos só eram capazes de ativar um destes processos e não os dois ao mesmo tempo.
"Vimos que com ratos é efetivo, agora temos que melhorar a administração e a eficácia", afirmou.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Grupo acha mutação genética que causa melanoma
Estudos sobre a genética de tumores raramente trazem conclusões radicais do tipo "este é o gene do câncer", porque a malha de processos que desencadeiam a doença é muito complexa. Um grupo de cientistas no Reino Unido, porém, acaba de apontar uma mutação genética que pode, por conta própria, desencadear o melanoma, o câncer de pele mais letal.
A alteração de DNA estudada pelos cientistas fica num gene batizado de BRAF e está presente em 70% dos melanomas. Um estudo liderado por Richard Marais, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, conseguiu criar a mutação de maneira controlada em camundongos e mostrou que ela pode desencadear o processo que leva melanócitos (células que conferem pigmentação à pele) a formarem tumores.
O sucesso da pesquisa tem implicação tão direta para a clínica que os cientistas já começaram a testar drogas nos animais geneticamente alterados para o tratamento do tumor.
"Nós estamos trabalhando na validação de medicamentos, com drogas que já existem", disse à Folha o patologista Jorge Reis-Filho, coautor do estudo. Segundo ele, há alguns anos, testes clínicos de drogas já tentaram atacar o BRAF e outros genes relacionados, mas os resultados não foram bons. Com os pesquisadores conhecendo mais precisamente seu alvo, porém, as esperanças são maiores. "Agora há inibidores do BRAF mais potentes e mais específicos", afirma. "São esses que a gente vai explorar."
Além de terem revelado um mecanismo para a formação de melanomas, os novos roedores geneticamente alterados poderão servir como modelos animais para estudar a doença.
Em estudo no periódico científico "Cancer Cell", Marais e colegas mostram como foi possível criar os animais. Não foi um experimento trivial, já que o gene BRAF também é ativo em outros tipos de célula do organismo, e os cientistas precisavam fazer com que as cobaias manifestassem a mutação só na epiderme.
O truque foi usar um "promotor", ou seja, vincular a ação do gene escolhido a uma molécula específica, que promove sua ativação. Reis-Filho explica o segredo: "introduzimos o gene mutante no genoma de todas as células do animal, mas o pusemos sob um promotor que é ativado só nos melanócitos, a tirosinase". Essa é uma das moléculas envolvidas na síntese da melanina, molécula que dá pigmentação à pele.
O problema é que há células fora da pele --neurônios, por exemplo-- que também produzem tirosinase. Para garantir que essa molécula promovesse o gene mutante apenas na pele, então, por sua vez, os cientistas vincularam sua ação a uma droga especial. "Quando a gente passava essa pomada, apenas os melanócitos expressavam o gene BRAF com a mutação", conta Reis-Filho. E, por fim, conforme os cientistas queriam demonstrar, o BRAF mutante gerava um melanoma.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u551437.shtml
A alteração de DNA estudada pelos cientistas fica num gene batizado de BRAF e está presente em 70% dos melanomas. Um estudo liderado por Richard Marais, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, conseguiu criar a mutação de maneira controlada em camundongos e mostrou que ela pode desencadear o processo que leva melanócitos (células que conferem pigmentação à pele) a formarem tumores.
O sucesso da pesquisa tem implicação tão direta para a clínica que os cientistas já começaram a testar drogas nos animais geneticamente alterados para o tratamento do tumor.
"Nós estamos trabalhando na validação de medicamentos, com drogas que já existem", disse à Folha o patologista Jorge Reis-Filho, coautor do estudo. Segundo ele, há alguns anos, testes clínicos de drogas já tentaram atacar o BRAF e outros genes relacionados, mas os resultados não foram bons. Com os pesquisadores conhecendo mais precisamente seu alvo, porém, as esperanças são maiores. "Agora há inibidores do BRAF mais potentes e mais específicos", afirma. "São esses que a gente vai explorar."
Além de terem revelado um mecanismo para a formação de melanomas, os novos roedores geneticamente alterados poderão servir como modelos animais para estudar a doença.
Em estudo no periódico científico "Cancer Cell", Marais e colegas mostram como foi possível criar os animais. Não foi um experimento trivial, já que o gene BRAF também é ativo em outros tipos de célula do organismo, e os cientistas precisavam fazer com que as cobaias manifestassem a mutação só na epiderme.
O truque foi usar um "promotor", ou seja, vincular a ação do gene escolhido a uma molécula específica, que promove sua ativação. Reis-Filho explica o segredo: "introduzimos o gene mutante no genoma de todas as células do animal, mas o pusemos sob um promotor que é ativado só nos melanócitos, a tirosinase". Essa é uma das moléculas envolvidas na síntese da melanina, molécula que dá pigmentação à pele.
O problema é que há células fora da pele --neurônios, por exemplo-- que também produzem tirosinase. Para garantir que essa molécula promovesse o gene mutante apenas na pele, então, por sua vez, os cientistas vincularam sua ação a uma droga especial. "Quando a gente passava essa pomada, apenas os melanócitos expressavam o gene BRAF com a mutação", conta Reis-Filho. E, por fim, conforme os cientistas queriam demonstrar, o BRAF mutante gerava um melanoma.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u551437.shtml
domingo, 5 de abril de 2009
Novidades da medicina contra o câncer e outras doenças
Na medicina, há uma regra básica segundo a qual quanto antes uma doença for detectada, melhor para o paciente. Sua chance contra a enfermidade cresce quando o inimigo é descoberto ainda pequeno. É por isso que há hoje no mundo centenas de cientistas empenhados em descobrir maneiras de identificar qualquer indício de problema o mais cedo possível. O resultado pode ser visto em boas novidades neste campo - atualmente disponíveis - e em muitas outras opções em desenvolvimento.
A saúde da família da empresária Aparecida Tozzo, 59 anos, de São Paulo, é uma das que estão sob o guarda-chuva desta onda de proteção precoce. Ela e sua irmã Nair, 60 anos, tiveram melanoma, o mais agressivo tipo de câncer de pele. Aparecida sofreu com a doença em 1989 e Nair, cinco anos atrás. Agora, as duas, seus filhos e mais as outras quatro irmãs fazem parte de um protocolo pioneiro de acompanhamento criado no Hospital A. C. Camargo, em São Paulo.
O projeto consiste no monitoramento de famílias nas quais há pelo menos dois casos da doença - o que aponta para a existência de uma conexão genética da enfermidade. O objetivo é manter os indivíduos sob acompanhamento para identificar o eventual surgimento do melanoma em qualquer um deles o mais precocemente possível. As estatísticas mostram a importância dessa atitude. Quando o tumor está infiltrado sob a pele apenas um milímetro, a possibilidade de cura é de 95%. Com mais de quatro milímetros de profundidade, a chance cai para menos de 5%.
O trabalho foi iniciado há um ano e por enquanto conta com a participação de 48 famílias. "Convocamos os parentes de pacientes em primeiro e segundo graus", explica Alexandre Leon, dermatologista especializado em oncologia cutânea e coordenador do programa. Todos são submetidos a um teste para verificar a presença de mutações genéticas associadas à doença. Seus integrantes também têm suas pintas mapeadas e analisadas a cada visita, feita de seis em seis meses. Mesmo os membros que não manifestam as alterações nos genes permanecem sob vigilância.
Até por sua importância em termos de gravidade e de incidência na população, o câncer é uma das doenças que mais têm merecido atenção no que diz respeito à detecção precoce. Além do melanoma, há outros tipos de tumores para os quais estão sendo criadas formas de identificação mais eficazes e também menos agressivas. No Fleury Medicina e Saúde, em São Paulo, por exemplo, acaba de ser disponibilizado um exame de rastreamento de câncer de cólon (intestino grosso) não invasivo. A colonoscopia virtual consiste na avaliação do cólon por meio de imagens obtidas por tomografia computadorizada. O que se pretende é verificar se há a presença de pólipos, lesões benignas que antecedem o câncer. O exame é indicado para pessoas com mais de 50 anos. Para quem tem casos na família ou pólipos intestinais, a recomendação é de que o rastreamento seja feito a partir dos 40 anos.
Muitos dos avanços estão sendo possíveis graças aos testes genéticos que apontam a predisposição para doenças. Eles estão cada vez mais frequentes e abrangentes. Há seis meses, por exemplo, o Laboratório Richet, no Rio de Janeiro, oferece um exame que procura 69 mutações genéticas. Entre outros males, elas estão associadas à osteoporose, ao mal de Parkinson e ao mal de Alzheimer, três enfermidades relacionadas ao envelhecimento. A simples constatação da propensão genética não é uma sentença definitiva de que o indivíduo manifestará a doença - em geral, as causas são múltiplas, não apenas genéticas. Mas o conhecimento da condição alerta a pessoa para certos cuidados. "Ela pode fazer um acompanhamento frequente com seu médico e submeter-se a exames regularmente", explica o patologista Hélio Margarinos, diretor médico do laboratório carioca. Dessa maneira, ao primeiro sinal, a doença passa a ser combatida e sua progressão pode ser retardada.
Continua...
Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2056/artigo130532-1.htm#
A saúde da família da empresária Aparecida Tozzo, 59 anos, de São Paulo, é uma das que estão sob o guarda-chuva desta onda de proteção precoce. Ela e sua irmã Nair, 60 anos, tiveram melanoma, o mais agressivo tipo de câncer de pele. Aparecida sofreu com a doença em 1989 e Nair, cinco anos atrás. Agora, as duas, seus filhos e mais as outras quatro irmãs fazem parte de um protocolo pioneiro de acompanhamento criado no Hospital A. C. Camargo, em São Paulo.
O projeto consiste no monitoramento de famílias nas quais há pelo menos dois casos da doença - o que aponta para a existência de uma conexão genética da enfermidade. O objetivo é manter os indivíduos sob acompanhamento para identificar o eventual surgimento do melanoma em qualquer um deles o mais precocemente possível. As estatísticas mostram a importância dessa atitude. Quando o tumor está infiltrado sob a pele apenas um milímetro, a possibilidade de cura é de 95%. Com mais de quatro milímetros de profundidade, a chance cai para menos de 5%.
O trabalho foi iniciado há um ano e por enquanto conta com a participação de 48 famílias. "Convocamos os parentes de pacientes em primeiro e segundo graus", explica Alexandre Leon, dermatologista especializado em oncologia cutânea e coordenador do programa. Todos são submetidos a um teste para verificar a presença de mutações genéticas associadas à doença. Seus integrantes também têm suas pintas mapeadas e analisadas a cada visita, feita de seis em seis meses. Mesmo os membros que não manifestam as alterações nos genes permanecem sob vigilância.
Até por sua importância em termos de gravidade e de incidência na população, o câncer é uma das doenças que mais têm merecido atenção no que diz respeito à detecção precoce. Além do melanoma, há outros tipos de tumores para os quais estão sendo criadas formas de identificação mais eficazes e também menos agressivas. No Fleury Medicina e Saúde, em São Paulo, por exemplo, acaba de ser disponibilizado um exame de rastreamento de câncer de cólon (intestino grosso) não invasivo. A colonoscopia virtual consiste na avaliação do cólon por meio de imagens obtidas por tomografia computadorizada. O que se pretende é verificar se há a presença de pólipos, lesões benignas que antecedem o câncer. O exame é indicado para pessoas com mais de 50 anos. Para quem tem casos na família ou pólipos intestinais, a recomendação é de que o rastreamento seja feito a partir dos 40 anos.
Muitos dos avanços estão sendo possíveis graças aos testes genéticos que apontam a predisposição para doenças. Eles estão cada vez mais frequentes e abrangentes. Há seis meses, por exemplo, o Laboratório Richet, no Rio de Janeiro, oferece um exame que procura 69 mutações genéticas. Entre outros males, elas estão associadas à osteoporose, ao mal de Parkinson e ao mal de Alzheimer, três enfermidades relacionadas ao envelhecimento. A simples constatação da propensão genética não é uma sentença definitiva de que o indivíduo manifestará a doença - em geral, as causas são múltiplas, não apenas genéticas. Mas o conhecimento da condição alerta a pessoa para certos cuidados. "Ela pode fazer um acompanhamento frequente com seu médico e submeter-se a exames regularmente", explica o patologista Hélio Margarinos, diretor médico do laboratório carioca. Dessa maneira, ao primeiro sinal, a doença passa a ser combatida e sua progressão pode ser retardada.
Continua...
Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2056/artigo130532-1.htm#
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terça-feira, 24 de março de 2009
Substância no veneno de serpentes pode auxiliar na cura do câncer
Um tipo de proteína presente no veneno de algumas serpentes, denominado desintegrina, pode ser a chave para deter a metástase – migração desenfreada de células tumorais cancerosas para outras partes do corpo. A descoberta, que aponta uma nova direção no desenvolvimento da cura do câncer, é resultado de uma pesquisa coordenada pela professora Thereza Christina Barja-Fidalgo, do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Ibrag/Uerj).
Durante a pesquisa, Thereza e sua equipe observaram que diferentes desintegrinas purificadas do veneno de cobras, como a Bothrops jararaca e as espécies asiáticas Agkistrodon rhodostoma e a Trimeresurus flavoviridis, são capazes de reduzir a capacidade de ativação e a migração de células de um tipo de melanoma – um câncer de pele com grande capacidade de formar metástases, especialmente nos pulmões – em camundongos.
Os pesquisadores constataram que as desintegrinas têm a capacidade de bloquear ou alterar a função de outra família de proteínas, as integrinas, proteínas presentes na membrana celular que são utilizadas pelas células cancerosas para se multiplicar.
- A proliferação da célula cancerosa durante a metástase está relacionada à sua capacidade de aderir a outras células e migrar para outros órgãos do organismo. Essa adesão é feita a partir das integrinas e seus ligantes na matriz extracelular - explica a pesquisadora.
As desintegrinas, por terem em sua estrutura molecular elementos semelhantes aos de proteínas da matriz extracelular, “confundem” a célula cancerosa e interagem com as integrinas. Desse modo, elas impedem sua associação às proteínas de matriz extracelular e própria migração tumoral.
Para testar o efeito das desintegrinas, a equipe vem realizando, desde 2005, experimentos in vitro (apenas em células) e testes em cobaias, no Laboratório de Farmacologia Bioquímica e Celular do Ibrag/Uerj.
Os resultados foram animadores. Segundo Thereza, nos camundongos que receberam as desintegrinas, o processo de metástase diminuiu substancialmente. Já no grupo de animais que não recebeu a medicação, houve uma alta formação de tumores no pulmão. No entanto, ainda não sabe o efeito dessas desintegrinas sobre outros tipos de tumores cancerosos.
Para Thereza, um dos grandes desafios de utilizar o veneno de serpentes em pesquisa é o alto custo. Ela explica que o veneno de serpentes tem centenas de proteínas e as desintegrinas são apenas uma fração mínima na composição dele, o que torna o processo de isolamento dessas proteínas custoso e de baixa produção. A próxima etapa do projeto será estudar o efeito das desintegrinas em células de melanomas humanos, in vitro.
Fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/03/17/e170323670.asp
Durante a pesquisa, Thereza e sua equipe observaram que diferentes desintegrinas purificadas do veneno de cobras, como a Bothrops jararaca e as espécies asiáticas Agkistrodon rhodostoma e a Trimeresurus flavoviridis, são capazes de reduzir a capacidade de ativação e a migração de células de um tipo de melanoma – um câncer de pele com grande capacidade de formar metástases, especialmente nos pulmões – em camundongos.
Os pesquisadores constataram que as desintegrinas têm a capacidade de bloquear ou alterar a função de outra família de proteínas, as integrinas, proteínas presentes na membrana celular que são utilizadas pelas células cancerosas para se multiplicar.
- A proliferação da célula cancerosa durante a metástase está relacionada à sua capacidade de aderir a outras células e migrar para outros órgãos do organismo. Essa adesão é feita a partir das integrinas e seus ligantes na matriz extracelular - explica a pesquisadora.
As desintegrinas, por terem em sua estrutura molecular elementos semelhantes aos de proteínas da matriz extracelular, “confundem” a célula cancerosa e interagem com as integrinas. Desse modo, elas impedem sua associação às proteínas de matriz extracelular e própria migração tumoral.
Para testar o efeito das desintegrinas, a equipe vem realizando, desde 2005, experimentos in vitro (apenas em células) e testes em cobaias, no Laboratório de Farmacologia Bioquímica e Celular do Ibrag/Uerj.
Os resultados foram animadores. Segundo Thereza, nos camundongos que receberam as desintegrinas, o processo de metástase diminuiu substancialmente. Já no grupo de animais que não recebeu a medicação, houve uma alta formação de tumores no pulmão. No entanto, ainda não sabe o efeito dessas desintegrinas sobre outros tipos de tumores cancerosos.
Para Thereza, um dos grandes desafios de utilizar o veneno de serpentes em pesquisa é o alto custo. Ela explica que o veneno de serpentes tem centenas de proteínas e as desintegrinas são apenas uma fração mínima na composição dele, o que torna o processo de isolamento dessas proteínas custoso e de baixa produção. A próxima etapa do projeto será estudar o efeito das desintegrinas em células de melanomas humanos, in vitro.
Fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/03/17/e170323670.asp
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